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sábado, 3 de março de 2012

Séries de menininha | Pipoca

Na minha cabeça é sabido de deus e o mundo que a minha internet em Salvador é bem ruinzinha. Assim, quando estou na casa da mãe, aproveito para colocar o estoque de séries, músicas e filmes em dia. A única série que eu vinha mais ou menos acompanhando era How I Met Your Mother, que consegui pôr em dia e ficar vendo semanalmente, e Dexter, em que me perdi nesses dias e acabei desistindo de ver, por enquanto. Para preencher as outras lacunas das férias (ai, férias da universidade, como te amo!), saí pesquisando séries para assistir. Para não quebrar a tradição (oi, eu assistia The OC e One Tree Hill religiosamente!) fui atrás de séries de menininha. Caso alguém também seja a doida do pão para acompanhar séries, minhas indicações:

Hart of Dixie


De longe a minha série favorita da categoria, Hart of Dixie conta a história de Zoe Hart (Rachel Bilson, de the OC), uma média de Nova York que, por uma reviravolta do destino, vê seus planos para a carreira de Cirurgiã Cardíaca atrapalhados. Sendo obrigada a clinicar por um ano para conseguir a bolsa de estudos dos seus sonhos, Zoe resolve aceitar uma antiga proposta de trabalho numa cidadezinha no Alabama. Dividida entre sua missão, possíveis romances, uma arqui-inimiga disposta a colocá-la para correr e a necessidade de dar lucro para a única clínica da cidade, de cuja metade se descobre herdeira, Zoe começa a se descobrir e a entender a pequena cidade de Bluebell.


New Girl


Uma garota dividindo o apartamento com três marmanjos. Se você imagina sexo casual e discussões homéricas, esteja enganado. Talvez não tanto sobre as discussões, uma vez que a garota é Jessie (Zooey Deschanel), uma professora primária espontânea - para não dizer meio esquisita - que vive se metendo em encrenca e cantando sobre isso. Sitcom, a série se segura mais pelo carisma da Zooey. Se você não curtiu a moça em 500 dias com ela, passe longe.

Jane by design

Jane é uma adolescente normal, mas só até as onze da manhã. Depois desse horário, ela assume o trabalho - e a identidade - de gente grande. Com  família - composta por ela e seu irmão mais velho, Ben - se encontra em apuros financeiros, Jane resolve agarrar a oportunidade de trabalhar no escritório de uma grande marca de roupas. Para isso, ela precisará se desdobrar entre o subúrbio e a cidade, entre o baile da escola e os desfile e entre o capitão do time de baseball e o mais charmoso designer de moda do pedaço, além de viver com um pé na realidade e outro no sonho da carreira em moda. Com uma pegadinha sessão da tarde, Jane by Design é outra série que achou lugar no meu coração. 


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Afinal, o que querem as mulheres?

Paz, amor, dinheiro, saúde, companhia, solidão... Er... Não, não é bem disso que eu estou falando.

Afinal, o que querem as mulheres? É um dos seriados da nova leva de produtos audio-visuais da Rede Globo, e que estreou no último dia 11. Sei que, por ser um produto da Globo, vocês com certeza já devem ter ouvido falar alguma coisa da série - nem que seja a música de abertura ecoando nos intervalos comerciais da emissora -  mas, mesmo assim, resolvi recomendá-la.

Afinal... Conta a história de André Newmann (Michel Melamed), estudante de Psicologia que tenta, em sua tese de doutorado, responder à pergunta sem enlace de Freud. Enquanto a vida profissional de André dá um salto - sua tese vira um best-seller e, dele, origina-se uma série - sua vida emocional não vai tão bem: sua absorção na pesquisa faz com que Lívia (Paola de Oliveira), sua namorada há cinco anos, resolva deixá-lo. Desde então, a fama de entendedor da alma feminina gerada pelo sucesso de seu livro torna André num verdadeiro...Garanhão. E é essa série de encontros, desencontros e remoídas do amor de André por Lívia que darão continuidade à história. Com direito a Russas Malucas, Atendentes Safadas e uma boa dose de complexo de Édipo.

Se falando assim a história parecer meio fraca, garanto que a culpa é somente minha. Se não bastasse a caracterização desse tipo intelectual-meio-alternativo de vida - quantas obras de ficção televisiva nacionais giram em torno de doutorandos, pintoras, ninfetas e homens-intelectuais-perfeitos? (aliás, esse é um ponto a que devo retornar depois) -  ainda vale mencionar o traço autoral da direção de Luiz Fernando Carvalho - que, entre outros trabalhos, é responsável pela séries Capitu (2008) e A Pedra do Reino (2007) - que dá um tratamento todo diferenciado à imagem e à estrutura narrativa.

Para se ter uma idéia desse traço autoral, o trailer da série:

Além desse encantamento visual, o que me desperta a atenção na série é a forma como os estereótipos são ampliados de uma forma divertida à série. Como no mundo do Dr. Newmann é normal falar russo e escrever dissertações conciliando conceitos teórico-filosóficos a produtos culturais como Bob Esponja, o galã-comum da ficção, encarnado por Rodrigo Santoro (que interpreta a si mesmo), perde todo o charme que o surfe, o gel no cabelo e a popularidade nas redes sociais proporcionam, e passa a ser um tipo quase banal e desinteressante - ao contrário do intelectual meio maldito do protagonista, que tem seu charme extrapolado a níveis tão absurdos que aquelas cantadas dignas do @pedreiro_online funcionam perfeitamente bem nele.

Outro detalhe interessante na construção da narrativa é como o diretor trata os trechos metalinguísticos - aqueles que tratam da construção da série oriunda da tese de doutorado. Em um determinado trecho, são alternadas as memórias de André e as cenas da série, protagonizadas por Rodrigo Santoro e Lavínia Vlasak. Enquanto as cenas da série são superficiais e quase forçadas, as memórias são vívidas e intensas. Parece bobagem, mas é o tipo de detalhe que marca a construção narrativa de Luiz Fernando Carvalho. 

Mas ok. Se você não for comunicóloga, não sofrer dessa mini-obsessão minha por teleficção seriada e achar que todos os meus argumentos até aqui foram furados, argumentos de menininha: 

- a caracterização das personagens é incrível. O figurino é pensado na mesma ótica detalhista de todo o resto da série. A Bruna Linzmeyer, que interpreta a russinha maluca, por exemplo, tem sempre uma série de cores e formas nas roupas, algo bem próximo da personalidade de ninfeta da personagem. Rodrigo Santoro, mesmo quando caracterizado com o André Newmann, a personagem da personagem, tem um ar de galã irreparável, e Paola de Oliveira, fazendo jus à sensual, equilibrada e romântica Lívia, foi caracterizada por cachos escuros e vestidos leves

-A série é bem franca quanto aos homens. Não se engane pela cara de nerd carente do Michel Melamed. Ele é inteligente, fofo e sensível, mas é também o que empurra a atual mocinha para outro sem dó nem piedade, o que passa uma cantada batida e o que olha para a voluptuosidade feminina nas praias. Mas, sim, ele se sente atormentado pela alma feminina.

- O Michel Melamed é um fofo. Ok. Isso é o que eu acho. Vocês podem ficar com o Rodrigo Santoro ;)

-André Newmann tem um blog. Adoro quando os produtos midiáticos são pensados em diversas plataformas. Se você duvida que o nerd-carente pode ser safado, tenha certeza: http://afinaloquequeremasmulheres.globo.com/andrenewmann/

-Vamos descobrir o que se pensa que querem as mulheres. Porque, se este título é pretensioso, nem imagino qual será a resposta.

Pronto. Parei de babar em cima da série, que, aliás, acabou de começar. Corram pra TV!

(Afinal... Vai ao ar às quintas-feiras, aproximadamente às 23:30. Os episódios que já foram ao ar estão disponíveis aqui)